terça-feira, 13 de outubro de 2009

UMA GOTA DE RANÇO

Durante toda a década de setenta e finalzinho dos anos oitenta ainda não admitiamos a existencia do racismo no Brasil e negros sendo barrados em restaurantes ou discriminados pela polícia acontecia apenas por eles terem caras de pobre. A polícia ia passando, via um crioulo fazendo cooper, achavo-o suspeito e entrava em ação: "Parado aí, seu pobre, senão eu atiro!"
Naquela época contar piadas racistas em público de tão comum até parecia um direito constitucional: " ... Aí o pobre aproximou-se da jaula e o macaco perguntou: Irmão, dava prá você me ceder o telefone do seu advogado ? "
Hoje o racismo é reconhecido em todo o território nacional, ainda assim, continua veladinho que só ele. Tal dissimulação ocorre devido a três motivos básicos: Primeiro, o brasileiro tem medo de conflitos, segundo, nosso raciocínio racista é de origem lusitana - flexivel e focado na preservação da beleza estética branca independente da pureza racial, ao contrário do modelo purista ariano do norte da Europa - ; terceiro, sua estratégia consiste justamente na negação do racismo. Portanto, no caso do Brasil, precisamos considerar algumas nuanças cognitivas da palavra racismo no cotidiano da sua prática historica para não cairmos em conversa mole, a exemplo do discurso do sociólogo Demetrio Magnoli, autor do livro Uma gota de sangue, História do pensamento racial, que astutamente limita-se a discutir a questão racial brasileira girando em torno do sentido etimologico dessa palavra na forma mais literal. Tanto cuidado tem o propósito de provar a inexistencia de uma ideologia racista que justifique a política das cotas para negros, como se a exclusão política - economica - social imposta aos afro-brasileiros durante mais de cem anos, cuja sequelas continuam prejudicando-lhes, já não fosse justificativa suficiente. Por isso alegar que as cotas não são cabíveis simplesmente porque não há segregação racial no Brasil chega a ser patético. Entretanto, mister Mgnoli tem uma gota de razão afirmando que a escravização dos africanos foi determinada por fatores distintos a detalhes raciais especificos, pois ao invés deles poderia ter sido os Aborigenes; agora, negar motivações raciais incutidas nesse processo é no mínimo má vontade, dado que nossos colonizadores sustentavam moralmente as conquistas no tripé da supremacia intelectual ( eram civilizados ), religiosa ( eram cristãos ), e étnica ( eram brancos ). Logo, os escravos em lugar dos africanos poderia ter sido os Aborigenes, sim; mas dificilmente os escandinavos.
Finalizando, só prá zoar, imaginem aí um escravo austriaco-descendente atormentado por um senhor identico ao Lazaro Ramos, com a chibata na mão, cantando: Trabalha, trabalha, branco ...

10 comentários:

Rafael Medeiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SaPaToS De LaTa disse...

Logo vi, foi muita propaganda para esse livro.
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Da Hora, a foto dos dois caminhos lá no blogue foi colocada por eu não saber desenhar uma com vários caminhos, como eu queria e pensei, e, também, por não encontrar nenhuma assim na internet.


abraços

Chuvinha disse...

Não há como negar ( adorei o texto) como não há como negar que a lei de fato não surtiu efeito...

Anônimo disse...

Apaguei o meu comentário para minha própria segurança. Tive péssimas experiências no Orkut por me expor tanto. Quem leu, leu. Abraço!

Lola disse...

RAPAZ... ME SENTI MAL POR SER BRANQUELA... O FATO DE FAZER ESCOVA NO CABELO DÁ PARA DAR UMA ESCAPADINHA??? :) NÃO QUER ME DAR ESSE LIVRO DE PRESENTE NÃO? SERVE USADO... JÁ ENVIO O ENDEREÇO,RSSSS...

DEIXANDO A BRINCADEIRA DE LADO, DEPOIS VENHO PARA COMENTAR NA SERIEDADE QUE O ASSUNTO MERECE.

BEIJO DA SUA GAROTA MARAVILHA.

Lugana Olaiá disse...

Jorginho,
Vejo que os não-negros, e os negros que não se aceitam, que se envergonham de si, principalmente por conta da lavagem cerebral que o meu povo sofreu desde a escravidão, e que não terá reparação, esses são os que dizem que ninguém aqui precisa de cotas, que não existe racismo e blá blá blá. Tenho pena! Pois eles ainda vão sofrer muito com essa cegueira. Já os não-negros, para mim não importa o que eles pensam, se querem dizer que cota é igual a segregação, que digam. Só quero que um dia o meu povo tenha orgulho de ser o que é! Pessoas como você, que gozam de uma consciência concreta, ao lado de pessoas como eu, negros que querem a igualdade entre os seres humanos, é que colheremos os frutos de um Brasil verdadeiro no futuro (ou nossos filhos e netos)! Rsrs

Lola disse...

OI, JORGINHO,

FALANDO UM POUCO RÁPIDO SOBRE O ASSUNTO. SOU A FAVOR DE COTAS PARA PESSOAS COM RENDAS MAIS BAIXAS, MAS, NÃO SOU A FAVOR DE COTAS PARA NEGROS, ÍNDIOS OU QUALQUER COR QUE SEJA. AFINAL, SE VOCÊ FOR UM NEGRO QUE ESTIVER PRECISANDO, ESTARÁ NA LISTA DOS DE BAIXA RENDA.
FALTA DE CONDIÇÕES FINANCEIRAS É UM BOM MOTIVO PARA TER COTA, DIFERENÇA DE COR, ISSO NÃO, AFINAL, O QUE É A COR ALÉM DE UMA SUBSTÂNCIA A MAIS OU A MENOS NA PELE? ACREDITO QUE QUALQUER COISA QUE SE FAÇA DIFERENCIANDO CORES, ISSO SIM É UM VERDADEIRO INCENTIVO A DISCRIMINAÇÃO RACIAL. AFINAL, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS? A COR DA PELE MUDA ALGO? NÃO! MAS, A DESIGUALDADE SOCIAL SIM. SE O QUE AS PESSOAS COGITAM É QUE A MAIORIA POBRE É NEGRA, ENTÃO ENTRARÃO NA COTA PARA PESSOAS DE BAIXA RENDA, JUNTO COM PESSOAS DE QUALQUER COR. O BRASIL É UM PAÍS ONDE A MAIORIA É NEGRA E PARDA, MAIS UM MOTIVO PARA NÃO INCENTIVAR O RACISMO, ESTE QUE SABEMOS QUE EXISTE SIM E NÃO DEVE SER INCENTIVADO NA HORA DE LEVAR VANTAGEM EM ALGO.
NÃO CONSIGO VER PORQUE TER ORGULHO DA COR SE SOMOS FEITOS DA MESMA MATÉRIA. DEVEMOS TER ORGULHO SIM DO QUE FAZEMOS, DO QUE LUTAMOS E CONSEGUIMOS. ESSE ORGULHO SIM EU APÓIO.
BEIJO, BOBO.

Lola disse...

PS: VÊ SE RESPONDE AOS COMENTÁRIOS FEITOS EM SEU BLOG. PARECE QUE FALAMOS SOZINHOS! :(

Lola disse...

POIS DEIXE DE SER PREGUIÇOSO... NÃO PRECISA TIRAR CONCLUSÕES SOBRE O QUE AS PESSOAS DIZEM. É SÓ INTERAGIR! PELO MENOS COMIGO EU GOSTARIA :(.

DEIXA DE SER TÃO BAIANO:).

BEIJÃO.

Lola disse...

LÓGICO QUE RESPEITO SUA OPINIÃO. DEIXEI MEU COMENTÁRIO SOBRE ISSO "LÁ EM CASA".

BEIJO, MORCEGO.