O PROFISSIONAL
Meio zarolho, meio balofo e meio borocoxô, Cornélio Manso marchou do banheiro em direção à sala; tropeçou numa garrafa de Ballantine's esquecida no chão, quase caindo, apagou o cigarro no cinzeiro abarrotado de bitucas fumadas até a ponta, sentou-se na frente do computador e sapecou os primeiros paragrafos de mais uma crítica teatral:
"Marcado para às 20 hs, às 21: 30 a cortina se abriu e a atriz Clitória Porras, que ganhou uns quilinhos extras após três anos fora dos palcos iniciou o primeiro ato aparentemente mais empenhada em disfarçar a silhueta fat mamma do que contracenar com o afrancesado Vaimmau Volteir..."
Ele assiste duas ou três peças na semana, às vezes duas na mesma noite, faz anotações básicas e depois desenvolve os textos dividindo-os em blocos.
À algumas peças dedica maior tempo, à outras nem tanto, porém é ácido sem exceção.
"...Em teatro falta tudo, menos papel crepon e veado..."
Cornélio começou a carreira intelectual como foca do jornal A notícia. Ficou cinco meses trabalhando na pagina policial, mas não aguentava ver sangue, e cadáveres deixava-o facilmente deprimido. Foi salvo pelo gongo; melhor dizendo, apadrinhado no caderno dois pelo editor-chefe Cretinus Maria Gongo. Em comum ambos apreciavam uísque Ballantine's com veneno de cascavel.
Teatro mesmo conheceu sob influencia da atriz iniciante Divina Bockete, com quem viveu um amor não-correspondido, pois Divina deu preferencia matrimonial ao ator José da Silva, que aconselhado por ela passou a chamar-se Vaimmau Volteir.
"...Se miss Clitória está longe de ser uma diva, o seu partner Vaimmau Volteir no papel de mulherengo não convence ninguem. Gostei mais dele em Gaiola das loucas..."
O fato é que o sucesso como crítico de teatro levou Cornélio a dedicar-se quase que totalmente ao ofício, obrigando-o a confinar-se em seu apartamento na companhia do computador, do papagaio Tião e das lembranças de um amor não-correspondido.
bostamcity
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
UMA GOTA DE RANÇO
Durante toda a década de setenta e finalzinho dos anos oitenta ainda não admitiamos a existencia do racismo no Brasil e negros sendo barrados em restaurantes ou discriminados pela polícia acontecia apenas por eles terem caras de pobre. A polícia ia passando, via um crioulo fazendo cooper, achavo-o suspeito e entrava em ação: "Parado aí, seu pobre, senão eu atiro!"
Naquela época contar piadas racistas em público de tão comum até parecia um direito constitucional: " ... Aí o pobre aproximou-se da jaula e o macaco perguntou: Irmão, dava prá você me ceder o telefone do seu advogado ? "
Hoje o racismo é reconhecido em todo o território nacional, ainda assim, continua veladinho que só ele. Tal dissimulação ocorre devido a três motivos básicos: Primeiro, o brasileiro tem medo de conflitos, segundo, nosso raciocínio racista é de origem lusitana - flexivel e focado na preservação da beleza estética branca independente da pureza racial, ao contrário do modelo purista ariano do norte da Europa - ; terceiro, sua estratégia consiste justamente na negação do racismo. Portanto, no caso do Brasil, precisamos considerar algumas nuanças cognitivas da palavra racismo no cotidiano da sua prática historica para não cairmos em conversa mole, a exemplo do discurso do sociólogo Demetrio Magnoli, autor do livro Uma gota de sangue, História do pensamento racial, que astutamente limita-se a discutir a questão racial brasileira girando em torno do sentido etimologico dessa palavra na forma mais literal. Tanto cuidado tem o propósito de provar a inexistencia de uma ideologia racista que justifique a política das cotas para negros, como se a exclusão política - economica - social imposta aos afro-brasileiros durante mais de cem anos, cuja sequelas continuam prejudicando-lhes, já não fosse justificativa suficiente. Por isso alegar que as cotas não são cabíveis simplesmente porque não há segregação racial no Brasil chega a ser patético. Entretanto, mister Mgnoli tem uma gota de razão afirmando que a escravização dos africanos foi determinada por fatores distintos a detalhes raciais especificos, pois ao invés deles poderia ter sido os Aborigenes; agora, negar motivações raciais incutidas nesse processo é no mínimo má vontade, dado que nossos colonizadores sustentavam moralmente as conquistas no tripé da supremacia intelectual ( eram civilizados ), religiosa ( eram cristãos ), e étnica ( eram brancos ). Logo, os escravos em lugar dos africanos poderia ter sido os Aborigenes, sim; mas dificilmente os escandinavos.
Finalizando, só prá zoar, imaginem aí um escravo austriaco-descendente atormentado por um senhor identico ao Lazaro Ramos, com a chibata na mão, cantando: Trabalha, trabalha, branco ...
Durante toda a década de setenta e finalzinho dos anos oitenta ainda não admitiamos a existencia do racismo no Brasil e negros sendo barrados em restaurantes ou discriminados pela polícia acontecia apenas por eles terem caras de pobre. A polícia ia passando, via um crioulo fazendo cooper, achavo-o suspeito e entrava em ação: "Parado aí, seu pobre, senão eu atiro!"
Naquela época contar piadas racistas em público de tão comum até parecia um direito constitucional: " ... Aí o pobre aproximou-se da jaula e o macaco perguntou: Irmão, dava prá você me ceder o telefone do seu advogado ? "
Hoje o racismo é reconhecido em todo o território nacional, ainda assim, continua veladinho que só ele. Tal dissimulação ocorre devido a três motivos básicos: Primeiro, o brasileiro tem medo de conflitos, segundo, nosso raciocínio racista é de origem lusitana - flexivel e focado na preservação da beleza estética branca independente da pureza racial, ao contrário do modelo purista ariano do norte da Europa - ; terceiro, sua estratégia consiste justamente na negação do racismo. Portanto, no caso do Brasil, precisamos considerar algumas nuanças cognitivas da palavra racismo no cotidiano da sua prática historica para não cairmos em conversa mole, a exemplo do discurso do sociólogo Demetrio Magnoli, autor do livro Uma gota de sangue, História do pensamento racial, que astutamente limita-se a discutir a questão racial brasileira girando em torno do sentido etimologico dessa palavra na forma mais literal. Tanto cuidado tem o propósito de provar a inexistencia de uma ideologia racista que justifique a política das cotas para negros, como se a exclusão política - economica - social imposta aos afro-brasileiros durante mais de cem anos, cuja sequelas continuam prejudicando-lhes, já não fosse justificativa suficiente. Por isso alegar que as cotas não são cabíveis simplesmente porque não há segregação racial no Brasil chega a ser patético. Entretanto, mister Mgnoli tem uma gota de razão afirmando que a escravização dos africanos foi determinada por fatores distintos a detalhes raciais especificos, pois ao invés deles poderia ter sido os Aborigenes; agora, negar motivações raciais incutidas nesse processo é no mínimo má vontade, dado que nossos colonizadores sustentavam moralmente as conquistas no tripé da supremacia intelectual ( eram civilizados ), religiosa ( eram cristãos ), e étnica ( eram brancos ). Logo, os escravos em lugar dos africanos poderia ter sido os Aborigenes, sim; mas dificilmente os escandinavos.
Finalizando, só prá zoar, imaginem aí um escravo austriaco-descendente atormentado por um senhor identico ao Lazaro Ramos, com a chibata na mão, cantando: Trabalha, trabalha, branco ...
sábado, 3 de outubro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
BALÕES ESPORTE CLUBE
Mau pensei em homenagear seios e veio-me à memória certa conversa que tive com uma musa e amiga do peito sobre este tema, assim como a gratificante sensação experimentada quando ela mostrou-me pela primeira vez suas farturas mamárias: Um misto de libido poética e disposição para uma boa sacanagem; mas também vontade de mamar. É, vontade de mamar o leitinho daquelas tetas acompanhado com uns biscoitinhos de maizena.
Será que a minha amiga do peito sabe que sinto essas coisas por suas tetas ? Suspeito que sim, e a despeito do que ela pense a meu respeito, eu quero mais é come-la pendurada no parapeito, afinal estamos num país livre onde, segundo o mestre Millôr Fernandes, livre pensar é só pensar. Ademais, a vida pode não ser perfeita, mas as mulheres são equipadas com seios. E digo mais: Eles possuem formas distintas e cores vivas.
Vamos começar nossa lista com o tipo café-com-leite: Branquinhos, contrastados por enormes auréolas pretas. Nhã, nhã ! Já para os gananciosos indico os tamanho família estilo norte americanos, vulgarmente apelidados de Dixie Dynamite em homenagem à atriz pornô mais peituda do planeta. " Os Dixie " costumam inspirar nos homens sensações ligadas ao vinculo maternal. Muita gente respira mais acelerado porém, diante dos modelos indigenas, muito comuns na America latina. Igualmente comum nessa parte do mundo é ver mulheres brancas dotadas de mamas africanas, resultado exótico da miscigenação. Uma delícia !
Ainda no campo do exotismo, a última palavra são os incriveis puffy nipples, chamados assim devido as auréolas inchadas. Geralmente rijos, de tamanhos médios e pequenos, ocupam a categoria de jóia rara. Estima-se que em cada grupo de aproximadamente mil mulheres, apenas uma é puffy nipple autêntica. Só para se ter idéia, eu, do alto da minha experiência seiológica jamais apalpei, mamei ou mordisquei um puffizinho sequer. No entanto, ao invés da lamentação aproveito o momento aconselhando aos homens que amem os seios das suas mulheres. Não parece razoavel prá vocês ?
Mau pensei em homenagear seios e veio-me à memória certa conversa que tive com uma musa e amiga do peito sobre este tema, assim como a gratificante sensação experimentada quando ela mostrou-me pela primeira vez suas farturas mamárias: Um misto de libido poética e disposição para uma boa sacanagem; mas também vontade de mamar. É, vontade de mamar o leitinho daquelas tetas acompanhado com uns biscoitinhos de maizena.
Será que a minha amiga do peito sabe que sinto essas coisas por suas tetas ? Suspeito que sim, e a despeito do que ela pense a meu respeito, eu quero mais é come-la pendurada no parapeito, afinal estamos num país livre onde, segundo o mestre Millôr Fernandes, livre pensar é só pensar. Ademais, a vida pode não ser perfeita, mas as mulheres são equipadas com seios. E digo mais: Eles possuem formas distintas e cores vivas.
Vamos começar nossa lista com o tipo café-com-leite: Branquinhos, contrastados por enormes auréolas pretas. Nhã, nhã ! Já para os gananciosos indico os tamanho família estilo norte americanos, vulgarmente apelidados de Dixie Dynamite em homenagem à atriz pornô mais peituda do planeta. " Os Dixie " costumam inspirar nos homens sensações ligadas ao vinculo maternal. Muita gente respira mais acelerado porém, diante dos modelos indigenas, muito comuns na America latina. Igualmente comum nessa parte do mundo é ver mulheres brancas dotadas de mamas africanas, resultado exótico da miscigenação. Uma delícia !
Ainda no campo do exotismo, a última palavra são os incriveis puffy nipples, chamados assim devido as auréolas inchadas. Geralmente rijos, de tamanhos médios e pequenos, ocupam a categoria de jóia rara. Estima-se que em cada grupo de aproximadamente mil mulheres, apenas uma é puffy nipple autêntica. Só para se ter idéia, eu, do alto da minha experiência seiológica jamais apalpei, mamei ou mordisquei um puffizinho sequer. No entanto, ao invés da lamentação aproveito o momento aconselhando aos homens que amem os seios das suas mulheres. Não parece razoavel prá vocês ?
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A ÚLTIMA DAS GRANDES REVOLUÇÕES
Não comungo com a idéia de que "todo castigo prá corno é pouco" por pura solidariedade, mas sem dúvida os cornos formam uma classe bastante desunida. Existem cornos de diversas qualidades - corno-xuxa, corno-detetive, corno-ateu, etc. -; no entanto, eu nunca vi corno unido; por isso Demerval surpreendeu-me tanto.
Corno iluminista, Demerval abriu um precedente histórico ao iniciar uma mobilização pró-corno revolucionária inspirada na Revolução francesa.
Ele vivia para o trabalho e o casamento; até que um dia, depois de comer um pastel vencido, passou mau no escritório e voltou cedo para casa...E assim começou a última das grandes revoluções.
DEMERVAL CONHECE O PRIMEIRO COMPANHEIRO.
A vida de Demerval parecia não ter mais sentido algum - desabituou-se a tomar banho, deixou a barba crescer e perdeu o interesse pelo trabalho.
Numa noite típica de cidade pequena afogou as magoas na mesa de um bar ao cume do derradeiro suspiro da consciencia, acordando na manhã seguinte sem saber como conseguira chegar em casa. Após levantar da cama avistou um bilhete pousado na mesinha de cabeceira. Pegou-o, abriu e leu:
"Conheço bem essa dor quardada no peito, Demerval, mas eu e você não somos os únicos.
Apareça no bar do Tonho, sabado, às 22 hs para tomarmos uns tragos ouvindo a boa musica do Reginaldo Rossi.
A propósito, meu nome é Alcides, o cara que trouxe você para casa."
REVOLUÇÃO, CACHAÇA E GALHA.
No dia marcado Demerval entrou no bar do Tonho, às 22 hs pontualmente. Olhou em volta e viu que todas as mesas estavam ocupadas. Mirou vários rostos na tentativa de ser reconhecido pelo tal do Alcides, já que não lembrava de te-lo conhecido. Não lembrava de nenhum corno chamado Alcides, mas logo percebeu um homem olhando em sua direção. Era o Alcides. Aproximou-se, apertaram as mãos e Alcides convidou-o a sentar-se.
As horas escorregaram tão rápido e suave que Demerval nem se deu conta. Tão naturalmente também falou da vida conjugal e particularmente da traição.
- Pois é, Demerval, como eu havia dito no bilhete, não somos os únicos nessa situação. No início é meio sofrido, mas depois pode ser divertido...
- Como assim, divertido ? - interrompeu Demerval.
- é que no começo todo corno sofre igualmente, mas depois que a poeira acenta descobrimos o prazer no que antes era dor !
- Tá maluco ? Como posso gostar de ser traído ?
- Chifre é um lance psicológico, Demerval. É só uma coisa que colocam na sua cabeça!
Depois daquela noite ambos tornaram-se grandes amigos e Alcides confessou ser adepto do swing entre casais, convidando Demerval a transar com a sua esposa. Esse triangulo deixou-o cada vez mais convencido de que Alcides tinha razão quanto a dizer que o que antes era dor transformava-se em prazer.
- Puxa vida, Alcides, só agora percebo o quanto minha ex-mulher é especial. Aquilo é mulher prá corno nenhum botar defeito !
- Pois é, os valores morais são conceitos relativos. No nosso grupo, por exemplo, o ofício de corno é que é normal.
Imagine quantos cornos têm por aí obrigados a viverem uma relação monogamica chata e careta por conta de um moralismo hipócrita !
- Já sei: Vou me candidatar a prefeito e lutar pelos nossos direitos !
- Beleza ! Mas não esqueça que todo prefeito tem uma primeira-dama.
- E chifre !
Em meio a polêmicas e chacótas Demerval arregimentou quatorze mil simpatizantes numa cidade de aproximadamente trinta mil habitantes elegendo-se prefeito.
Dentre os seus maiores feitos revolucionários destacam-se o vale-hotel, destinado a maridos que depois de flagrar a mulher em casa com o Ricardão possam dormir em qualquer hotel, evitando que ela abandone o lar, e a inclusão da passeata do orgulho corno no calendário anual de festas populares da cidade. Contudo, diz a lenda que o sucesso da revolução foi possível devido ao desempenho da primeira-dama em persoadir os vereadores com suas "especiais habilidades diplomáticas" a votarem nos projetos de Demerval.
Não comungo com a idéia de que "todo castigo prá corno é pouco" por pura solidariedade, mas sem dúvida os cornos formam uma classe bastante desunida. Existem cornos de diversas qualidades - corno-xuxa, corno-detetive, corno-ateu, etc. -; no entanto, eu nunca vi corno unido; por isso Demerval surpreendeu-me tanto.
Corno iluminista, Demerval abriu um precedente histórico ao iniciar uma mobilização pró-corno revolucionária inspirada na Revolução francesa.
Ele vivia para o trabalho e o casamento; até que um dia, depois de comer um pastel vencido, passou mau no escritório e voltou cedo para casa...E assim começou a última das grandes revoluções.
DEMERVAL CONHECE O PRIMEIRO COMPANHEIRO.
A vida de Demerval parecia não ter mais sentido algum - desabituou-se a tomar banho, deixou a barba crescer e perdeu o interesse pelo trabalho.
Numa noite típica de cidade pequena afogou as magoas na mesa de um bar ao cume do derradeiro suspiro da consciencia, acordando na manhã seguinte sem saber como conseguira chegar em casa. Após levantar da cama avistou um bilhete pousado na mesinha de cabeceira. Pegou-o, abriu e leu:
"Conheço bem essa dor quardada no peito, Demerval, mas eu e você não somos os únicos.
Apareça no bar do Tonho, sabado, às 22 hs para tomarmos uns tragos ouvindo a boa musica do Reginaldo Rossi.
A propósito, meu nome é Alcides, o cara que trouxe você para casa."
REVOLUÇÃO, CACHAÇA E GALHA.
No dia marcado Demerval entrou no bar do Tonho, às 22 hs pontualmente. Olhou em volta e viu que todas as mesas estavam ocupadas. Mirou vários rostos na tentativa de ser reconhecido pelo tal do Alcides, já que não lembrava de te-lo conhecido. Não lembrava de nenhum corno chamado Alcides, mas logo percebeu um homem olhando em sua direção. Era o Alcides. Aproximou-se, apertaram as mãos e Alcides convidou-o a sentar-se.
As horas escorregaram tão rápido e suave que Demerval nem se deu conta. Tão naturalmente também falou da vida conjugal e particularmente da traição.
- Pois é, Demerval, como eu havia dito no bilhete, não somos os únicos nessa situação. No início é meio sofrido, mas depois pode ser divertido...
- Como assim, divertido ? - interrompeu Demerval.
- é que no começo todo corno sofre igualmente, mas depois que a poeira acenta descobrimos o prazer no que antes era dor !
- Tá maluco ? Como posso gostar de ser traído ?
- Chifre é um lance psicológico, Demerval. É só uma coisa que colocam na sua cabeça!
Depois daquela noite ambos tornaram-se grandes amigos e Alcides confessou ser adepto do swing entre casais, convidando Demerval a transar com a sua esposa. Esse triangulo deixou-o cada vez mais convencido de que Alcides tinha razão quanto a dizer que o que antes era dor transformava-se em prazer.
- Puxa vida, Alcides, só agora percebo o quanto minha ex-mulher é especial. Aquilo é mulher prá corno nenhum botar defeito !
- Pois é, os valores morais são conceitos relativos. No nosso grupo, por exemplo, o ofício de corno é que é normal.
Imagine quantos cornos têm por aí obrigados a viverem uma relação monogamica chata e careta por conta de um moralismo hipócrita !
- Já sei: Vou me candidatar a prefeito e lutar pelos nossos direitos !
- Beleza ! Mas não esqueça que todo prefeito tem uma primeira-dama.
- E chifre !
Em meio a polêmicas e chacótas Demerval arregimentou quatorze mil simpatizantes numa cidade de aproximadamente trinta mil habitantes elegendo-se prefeito.
Dentre os seus maiores feitos revolucionários destacam-se o vale-hotel, destinado a maridos que depois de flagrar a mulher em casa com o Ricardão possam dormir em qualquer hotel, evitando que ela abandone o lar, e a inclusão da passeata do orgulho corno no calendário anual de festas populares da cidade. Contudo, diz a lenda que o sucesso da revolução foi possível devido ao desempenho da primeira-dama em persoadir os vereadores com suas "especiais habilidades diplomáticas" a votarem nos projetos de Demerval.
Assinar:
Postagens (Atom)



